Zika e Infância
Zika e Infância

Na próxima semana (8 a 10), Salvador recebe a primeira edição da Feira de Soluções para a Saúde e do Seminário Internacional da Unicef: Zika e Infância, nos quais serão apresentados produtos, serviços e ações voltados para o combate, prevenção, diagnóstico e tratamento da Zika, Dengue e Chikungunya. A Bahia foi escolhida para ser sede dos eventos por concentrar experiências exitosas sobre o tema, a exemplo dos testes rápidos para diagnóstico das três doenças, que são produzidos e distribuídos pelo laboratório público do Estado, a Bahiafarma, para todo o Brasil, permitindo assim, o diagnóstico em até 20 minutos.

Estes são os primeiros eventos do gênero no País e serão realizados no Senai-Cimatec, com a expectativa de reunir 800 participantes por dia, com destaque para pesquisadores nacionais e internacionais, laboratórios, representantes de organizações sociais, além de gestores governamentais e sociedade civil. Também estarão presentes representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Organização das Nações Unidas (ONU).

A iniciativa é resultado da parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e a Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), por meio do Senai-Cimatec. Os interessados em compartilhar projetos, participar dos debates e conhecer as experiências exitosas devem se cadastrar gratuitamente no site do evento.

Experiências baianas exitosas

A palestra de abertura da Feira será realizada pela pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Celina Turchi, que foi eleita pela revista americana ‘Time’ como uma das 100 pessoas mais influentes de 2017 e escolhida como uma das dez cientistas mais importantes de 2016 pela revista ‘Nature’, em decorrência da pesquisa que descobriu a relação entre a microcefalia e o vírus da zika. Participam representantes da Organização das Nações Unidas e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o embaixador do Canadá, Rick Savone. Este trará para a feira uma empresa que desenvolveu um artefato para captura de mosquitos.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, o evento reunirá centenas de projetos e dezenas de expositores do Brasil e do mundo e o Estado vai ser um dos destaques. “A Bahia tem avançado no desenvolvimento de soluções para combater as arboviroses. Entre as experiências baianas, além dos testes rápidos da Bahiafarma, podemos destacar o aplicativo Caça Mosquito, que foi idealizado pela Sesab e desenvolvido pela Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), em parceria com a empresa Oracle”.

Segundo o secretário, o aplicativo “possibilita aos usuários de smartphones fotografar e denunciar possíveis criadouros do mosquito em qualquer lugar e a qualquer momento, além de alertar as autoridades para a tomada de providências. E o melhor- a localização é feita a partir de georreferenciamento (GPS)”.

Para o diretor-presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias, essa é uma oportunidade importante de interlocução com a sociedade. “Essa troca de informações é fundamental para que a gente possa entender as ferramentas e soluções que a população deseja para, assim, cumprir nosso papel como laboratório público oficial”. Ele enfatiza ainda que a empresa tem “contribuído ativamente e trabalhado em conjunto com o Ministério da Saúde para prover soluções, sobretudo na área diagnóstica. A linha de testes rápidos para diagnóstico das arboviroses, por exemplo, já está disponível para a população em todo o território nacional, auxiliando no combate às doenças e no tratamento dos pacientes por meio do diagnóstico precoce”.

Atendimento a portadores de microcefalia

A Bahia também apresentará, na Feira, as experiências do Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), principal centro de reabilitação do Estado para reabilitação de crianças com microcefalia, atendendo 90 pacientes. Em paralelo, a ONG Abraço a Microcefalia levará a experiência de reunir mães que têm filhos com microcefalia.

Ações de comunicação que utilizam influenciadores digitais e humor como elementos de engajamento do público nas redes sociais, estimulando desse modo o compartilhamento de mensagens sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti também terão destaque. Além disso, haverá exibição de vídeos 360°, como na demonstração do ciclo de vida do mosquito com o auxílio de microscópios, e vídeos educativos, em uma estrutura de minicinema.

“A Feira de Soluções para Saúde fará emergir a imensa conjunção de esforços de diversos segmentos da sociedade brasileira e internacional que, de diferentes maneiras e de forma solidária, se organizaram na busca de conhecimentos e soluções para um problema complexo e devastador, porém, até então desconhecido”, afirma o coordenador do Centro de Integração de Dados de Conhecimentos para Saúde da Fiocruz/BA, Maurício Barreto.

Experiências internacionais também serão apresentadas durante o evento. Além do Canadá, serão mostrados exemplos de outros países como Cabo Verde, Honduras e República Dominicana. Durante os três, uma rica programação apresentará soluções de caráter social, industrial e de serviços que podem, em muitos casos, ser replicadas por diversas pessoas e instituições em todo o Brasil e até no exterior. E a criatividade é o traço comum entre essas iniciativas.

É o caso dos chamados ‘adequadores posturais de baixo custo’. Feitos em papelão, são cadeirinhas para crianças com síndromes ligadas às arboviroses e que têm dificuldades em se posicionar para se alimentar ou para receber estimulação motora apropriada. Para a produção do equipamento, as crianças são medidas e recebem uma cadeirinha feita especificamente para cada uma delas. Pais, profissionais e voluntários participarão de uma oficina, durante a Feira, na qual aprenderão a fazer os adequadores com a responsável por esta iniciativa, a fisioterapeuta e pesquisadora Dafne Herrero.

Essa e outras soluções serão cadastradas em um site que, além de permitir a inscrição no evento, se transformará num grande banco de dados de soluções para a saúde. Outra atração da Feira será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como Zika, Dengue e Chikungunya.

Seminário Internacional

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional: Zika e Infância, organizado pelo Unicef e parceiros. O evento é uma oportunidade de aprendizado sobre as melhores práticas de prevenção do mosquito Aedes aegypti e as estratégias de apoio às mulheres gestantes, famílias e cuidadores de crianças com a Síndrome Congênita do Zika vírus (SCZv) e outras deficiências em âmbito nacional e internacional.

Durante o seminário, experts nacionais e internacionais, gestores, pesquisadores, conselheiros de direitos, profissionais de saúde, educação e assistência social e mulheres mães e cuidadores de crianças compartilharão as lições aprendidas em relação a estimulação de crianças com alterações no desenvolvimento no ambiente domiciliar e escolar, ao apoio psicossocial e na garantia de direitos. As vagas no seminário são limitadas e haverá inscrição prévia.

Estatísticas

Em 2016, foram notificados, na Bahia, 57.189 casos suspeitos de Zika, 53.135 de Chikungunya e 65.691 de Dengue. Este ano, até 25 de abril, foram registrados 1.187 casos de Zika, 4.982 de Chikungunya e 5.379 de Dengue. No que se refere aos casos notificados de microcefalia, a Bahia possui 1.637 registros entre outubro de 2015 e junho de 2017, distribuídos em mais de 200 municípios. Destes, 480 foram confirmados. O município de Salvador concentra aproximadamente 50% do total de notificações.

 

Fonte: Ascom/Secretaria da Saúde do Estado (Sesab)

 

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