“Descasque mais, desembale menos”: rota para a alimentação sustentável e controle da obesidade

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Sua Saúde

Moradores da zona rural têm acesso a alimentos in natura, ricos em fibra, mas muitos trocam, por exemplo, o aipim pelos biscoitos industrializados, ricos em sódio, gordura hidrogenada e aditivos químicos, que contribuem mais facilmente para o ganho de peso. De olho nessa contradição, a pegada do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) para o Dia Mundial da Obesidade, 11 de outubro, é o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.

Por isso, o tema para reflexão da Obesidade este ano é “Descasque mais, desembale menos”, que o Cedeba discutirá com os pacientes do ambulatório de Obesidade, no próximo dia 28 de novembro, no auditório da Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis, anexa ao Centro de Atenção à Saúde (CAS).

Alimentação sustentável

Ao dar essas informações, a nutricionista Lorenna Fracalossi, do Núcleo de Obesidade, do Cedeba, mostra que a preferência por alimentos in natura se insere numa proposta mais ampla do Ministério da Saúde, de uma alimentação sustentável que atente para a origem dos alimentos, que combata o desperdício e estimule o consumo de produtos locais, fortalecendo a economia dos pequenos produtores. Que dê preferência aos alimentos no seu estado natural, em lugar dos produtos industrializados.

Com o crescimento da indústria alimentícia, a população de menor poder aquisitivo tem acesso mais facilmente aos produtos industrializados – analisa a nutricionista – e como dá “status”, as pessoas optam pelos biscoitos recheados para o lanche, em vez de frutas (maçã, banana), por exemplo. Mas – pontuou – isso se deve à força da publicidade. Não existe propaganda de frutas e legumes, mas de biscoitos e achocolatados, sim. E com muita intensidade. Quem está hoje na faixa dos 40 anos, ouviu muito a mensagem sobre “o Danoninho que vale por um bifinho”.

Mas, a regra de ouro para a alimentação saudável, de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira é “prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”, observa Lorenna Fracalossi.

A má alimentação, como explica a nutricionista, é um dos fatores de risco para a obesidade, doença crônica que não tem cura, mas tem controle. Multifatorial, a obesidade tem como causas o fator genético, ambientais (má alimentação e sedentarismo), estresse, doenças endócrinas, fatores emocionais (compulsão alimentar) e doenças psíquicas.

De acordo com dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas pro Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, o aumento do número de pessoas obesas no Brasil foi de 67,8 %, entre 2006 e 2018. O levantamento também mostrou que as pessoas entre as pessoas das faixas de entre 25 e 34 anos (84,2%) e de 35 a 44 anos (81,1%) foram as que registraram maior índice de obesidade.

O crescimento da obesidade preocupa, conforme destaca a nutricionista, porque a doença é fator de risco para outras patologias como a hipertensão arterial, diabetes, apneia do sono, dislipidemias (aumento do colesterol e triglicérides), cardiopatias, osteoartrites e alguns tipos de câncer (mama, ovário).

Pela complexidade, a obesidade exige tratamento multidisciplinar e interdisciplinar, que possibilite abordar o individuo como um todo, como a assistência oferecida pelo Cedeba no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), para pacientes encaminhados pela Atenção Básica que preencham os requisitos de matrícula e acompanhamento no Centro de Referência, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

 

Fonte: Ascom Cedeba