“Descasque mais, desembale menos”, caminho para mais saúde e menos obesidade

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Sua Saúde

Espiga de milho (in natura), milho enlatado (processado), sucrilhos de milho (ultraprocessado). A sequência sinaliza que o primeiro é o mais saudável, enquanto o último, o mais nocivo, deve ser evitado.´ De olho na orientação do Guia Alimentar da População Brasileira, do Ministério da Saúde, que mostra a importância dos alimentos in natura, o Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) reúne no próximo dia 28, a partir das 8 horas, pacientes com obesidade no auditório da Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis, anexa ao Centro de Atenção à Saúde (CAS), para discutir os passos que devem ser seguidos para encontrar o caminho da alimentação saudável.

O guia alimentar pode ser acessado através do seguinte link

O evento, que dá continuidade às atividades do Dia Mundial da Obesidade (11 de outubro), tem como tema “Descasque mais, Desembale menos”. A abertura será feita pela coordenadora do Núcleo de Obesidade do Cedeba, endocrinologista Teresa Arruti, seguida da exibição de vídeo. A programação continua com palestra e dinâmica sobre o tema “Descasque Mais, Desembale Menos”, da nutricionista do Cedeba, Lorenna Fracalossi. Haverá, também, momento para relaxar com “Yoga do Riso”. A programação será encerrada às 11 horas.

Comida de verdade

Evitar alimentos processados e ultraprocessados, segundo explica Lorenna Fracolossi, é contribuir para a prevenção do diabetes e obesidade. Cada vez mais – pontua – as pessoas consomem alimentos prontos por considerarem mais prático e mais rápido. Porém, mais ricos em sódio, gordura e açúcar. Com a produção abundante, os alimentos industrializados tornaram- se mais acessíveis, sendo consumidos largamente por pessoas de baixa renda, porque para esse grupo representa status, tomar um suco de caixinha em vez de descascar a fruta. Aí entra também, segundo a nutricionista, a força da propaganda. “Ninguém vê propaganda de maçã, de banana, de laranja, mas de sucos, biscoitos, e outros alimentos processados e ultraprocessados, sim”, analisa.

Muito importante – observa – é o cuidado ao fazer compras no supermercado: ler com atenção o rotulo dos produtos porque, de acordo com as normas técnicas, a composição vem em ordem decrescente da presença da substância. No caso de sucos, às vezes a presença da fruta (em forma de xarope) ocupa o terceiro lugar, e a pessoa nem percebe a armadilha; um copo de suco de caixa equivale ao valor calórico de um pão.

A preferência por alimentos in natura se insere numa proposta mais ampla do Ministério da Saúde, de uma alimentação sustentável que atente para a origem dos alimentos, que combata o desperdício e estimule o consumo de produtos locais, fortalecendo a economia dos pequenos produtores. Que dê preferência aos alimentos no seu estado natural, em lugar dos produtos industrializados. É importante preferir frutas da estação porque são mais saborosas e por serem mais abundantes, também têm preços mais acessíveis,

A má alimentação, como explica a nutricionista, é um dos fatores de risco para a obesidade, doença crônica que não tem cura, mas tem controle. Multifatorial, a obesidade tem como causas o fator genético, ambientais (má alimentação e sedentarismo), estresse, doenças endócrinas, fatores emocionais (compulsão alimentar) e doenças psíquicas.

De acordo com dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas pro Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, o aumento do número de pessoas obesas no Brasil foi de 67,8 %, entre 2006 e 2018. O levantamento também mostrou que as pessoas das faixas de 25 a 34 anos (84,2%) e de 35 a 44 anos (81,1%) foram as que registraram maior índice de obesidade.

O crescimento da obesidade preocupa, conforme destaca a nutricionista, porque a doença é fator de risco para outras patologias como a hipertensão arterial, diabetes, apneia do sono, dislipidemias (aumento do colesterol e triglicérides), cardiopatias, osteoartrites e alguns tipos de câncer (mama, ovário).

Pela complexidade, a obesidade exige tratamento multidisciplinar e interdisciplinar, que possibilite abordar o individuo como um todo, como a assistência oferecida pelo Cedeba no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), para pacientes encaminhados pela Atenção Básica que preencham os requisitos de matrícula e acompanhamento no Centro de Referência, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Alimentação saudável em dez passos

O caminho para alimentação saudável, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde, passa por dez passos:

  1. Fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados, a base da alimentação;
  2. Utilizar óleos ou gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias;
  3. Limitar o consumo de alimentos processados;
  4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
  5. Comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e sempre que possível, com companhia;
  6. Fazer compras em locais que ofertem variedade de alimentos in natura ou minimamente processados;
  7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias;
  8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece;
  9. Dar preferência , quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora;
  10. Ser crítico quanto às informações, orientações e mensagens sobre alimentação, veiculadas em propagandas comerciais. 

 

Fonte: Ascom Cedeba