Três iniciativas do HGRS são destaque em mostra de humanização do SUS

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Servidoras da Bahia
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Três iniciativas do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, foram selecionadas para apresentação na III Mostra Integrada de Humanização e Saúde do Trabalhador do SUS-BA. Realizada nos dias 28 e 29 de novembro, a ação conferiu menção honrosa aos trabalhos ‘UTI de portas abertas’ (1º lugar), ‘Promovendo a comunicação não violenta no trabalho HGRS-Salvador/Ba’ (3º lugar) e ‘Saúde mental no ambiente de trabalho: fale mais sobre isso’ (9º lugar).

A mostra é promovida pela Superintendência de Recursos Humanos da Saúde (Superh), por meio da Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (DGTES). Tem objetivo de compartilhar e reconhecer experiências exitosas de valorização do trabalhador e direito dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia.

Confira, abaixo, os resumos dos trabalhos do HGRS selecionados.

UTI de portas abertas, de Indaiane Rosário Abade dos Santos (enfermeira)

A presença de familiares junto ao paciente é valiosa por garantir dignidade às inter-relações pessoais do enfermo. Dessa maneira, a flexibilização dos horários de visitação familiar permite uma assistência mais humanizada e centrada nas necessidades do paciente e sua família, além de  inseri-los no cuidado. Assim, a unidade de terapia intensiva (UTI) cirúrgica do HGRS, com participação e apoio da direção do hospital, em um projeto-piloto, vivencia um movimento progressivo de abertura de suas portas, iniciado em janeiro de 2018 e em fase experimental atual de permanência por vinte e quatro horas.

O modelo atual da visita ampliada passou por um processo de sensibilização da equipe, com introdução, aos poucos, das famílias na unidade e conquista de maior comodidade para elas, que contam com banheiro exclusivo, cadeiras e poltronas para melhor acolhimento. Hoje, a visita ampliada é ofertada para todos pacientes.

Em casos de terminalidade definida em visita multiprofissional, as famílias são contempladas com a permanência de 24h, para que possam estar presentes em um dos momentos mais difíceis para a família: a despedida. A ideia é replicar a experiência para as outras unidades de terapia intensiva, com a perspectiva de inserir cada vez mais as famílias no cuidado, promovendo, assim, um cuidado humanizado.

Promovendo a comunicação não violenta no trabalho HGRS-Salvador/Ba, de Mineia Pereira da Hora Assis, Mabel Olímpia Lima Silva e Aldacy Gonçalves Ribeiro (enfermeiras)

A ideia de falar sobre comunicação não violenta surgiu a partir da identificação de um ambiente onde a comunicação era agressiva, tanto entre a equipe de enfermagem quanto aos demais profissionais da equipe multidisciplinar. Por ser uma equipe imatura, recém-admitida, foi identificada uma fragilidade na formação de vínculos entre os pares, por uma necessidade de atuação imediata para inauguração da UTI neurológica. Isso gerou um processo de desgaste entre profissionais e relações conflituosas e comunicação violenta.

Após a identificação, a coordenação de enfermagem buscou na literatura o que poderia ser efetivo para o combate a esse processo, conhecendo, então, a comunicação não violenta (CNV), do psicólogo Marshall Rosenberg. A CNV tornou-se um balizador de todas as ações da equipe.

O trabalho começou com a formação das gestoras da unidade, Mineia Pereira da Hora Assis e Mabel Olímpia Lima Silva, que fizeram investimentos em cursos e literatura aprofundada para obtenção de subsídios que garantiram aplicabilidade da estratégia. Em seguida, iniciou-se o processo de forma sistemática com a equipe, através de reuniões, rodas de conversa e diálogos individuais. Em seguida, a discussão foi ampliada para os gestores, através da palestra na Oficina de Líderes, e para os profissionais do hospital no Programa de Aperfeiçoamento de Enfermagem (Pape), gerando uma redução significativa nos conflitos e uma melhora na relação entre os trabalhadores.

Falar sobre comunicação não violenta é uma estratégia que permeia a qualidade do trabalho individual e o fomento às boas relações interpessoais. Isso gera um ambiente mais acolhedor, com formação de vínculo e, consequentemente, melhorias à saúde mental do trabalhador.

Saúde mental no ambiente de trabalho: fale mais sobre isso, de Flávia de Jesus Santos Sampaio (enfermeira)

As atividades de saúde mental vêm sendo reconhecidas pela gestão e trabalhadores como práticas efetivas de redução de estresse no ambiente de trabalho. Existe uma adesão às práticas desenvolvidas pelo Serviço Integrado de Atenção à Saúde do Trabalhador do Hospital Geral Roberto Santos (Siast-HGRS), o que pode ser comprovado com o aumento do número de atendimentos realizados nos últimos três anos.

Na instituição, é desenvolvida uma cultura organizacional que engloba a saúde emocional. As intervenções de saúde mental são parte de uma estratégia integrada de saúde e bem-estar, que cobre prevenção, identificação precoce, apoio e readaptação funcional.

A programação acontece de segunda a sexta-feira, nos turnos matutino e vespertino, no espaço do Siast e nos setores do hospital. São realizados acolhimentos multiprofissionais, atividades de ergonomia de conscientização/educação permanente, psicoterapia individual e em grupo, práticas integrativas e complementares em saúde (PICS), inserção da família no projeto terapêutico individual e encaminhamentos para rede de saúde mental do Estado.

 

Fonte: Ascom HGRS